
A bomba que alimenta a caldeira parou três vezes no último semestre, e cada parada custou horas de produção. Em vez de continuar reagindo a cada quebra, a equipe decide olhar o equipamento de forma sistemática e perguntar: de que maneiras ele pode falhar, o que acontece quando falha e o que pode ser feito antes? Essa é a proposta da FMEA, a análise dos modos de falha e seus efeitos, uma ferramenta que nasceu na engenharia de projeto e passou a ser aplicada também na manutenção. A seguir, o passo a passo de uma FMEA de manutenção para um equipamento crítico.
Uma FMEA bem feita começa antes da primeira linha da planilha:
O ponto de partida é a função, ou seja, o que o equipamento precisa fazer, de preferência com um padrão de desempenho. Uma bomba centrífuga de alimentação de caldeira pode ter como função "bombear água tratada a uma determinada vazão e pressão", além de funções secundárias, como conter o fluido sem vazamento.
Para cada função, a equipe lista os modos de falha, isto é, as formas como a função deixa de ser cumprida. Em seguida, identifica os efeitos de cada modo e suas causas. No exemplo da bomba:
Cada combinação de modo de falha e causa recebe três notas, normalmente em escalas de 1 a 10:
O método tradicional multiplica as três notas e obtém o número de prioridade de risco, o NPR. Métodos mais recentes preferem uma tabela de prioridade de ação que dá mais peso à severidade, para evitar que uma falha grave, mas rara, fique escondida no meio da lista. O essencial é que a equipe combine as escalas antes de começar e as use da mesma forma em todo o estudo.
Com as notas, a equipe ordena os itens e define ações para os mais relevantes. As ações podem atuar sobre as três dimensões:
Cada ação precisa de responsável e prazo. Depois de implantadas, as notas são recalculadas, e a FMEA passa a ser um documento vivo, revisado quando ocorre uma falha não prevista ou quando o equipamento é modificado.
O resultado prático costuma aparecer no plano de manutenção: tarefas preventivas e preditivas deixam de ser genéricas e passam a mirar modos de falha reais do equipamento.
A FMEA de projeto analisa um produto ainda em desenvolvimento. Na manutenção, a análise parte de um equipamento em operação e busca definir tarefas e melhorias que evitem ou antecipem as falhas.
Depende da complexidade e da fronteira definida. Para uma bomba, algumas reuniões da equipe costumam ser suficientes quando os dados de histórico já estão reunidos.
Não necessariamente. Um item de severidade máxima merece atenção mesmo com NPR moderado, por isso muitas empresas tratam primeiro as falhas com risco à segurança.