
Um inversor de frequência novo sai da caixa com parâmetros de fábrica que servem para quase nada em particular. Para que ele acione bem um motor específico, em uma máquina específica, é preciso ajustar um conjunto de parâmetros básicos. A boa notícia é que, em quase todos os fabricantes, a lógica da parametrização de inversor de frequência é a mesma, ainda que os códigos e nomes mudem de um manual para outro.
Antes de ligar o inversor pela primeira vez, faça uma conferência física:
Lembre também que o barramento interno do inversor mantém tensão perigosa por alguns minutos depois de desligado. Respeite o tempo indicado na etiqueta antes de abrir tampas ou mexer nos bornes.
O primeiro grupo de parâmetros descreve o motor. Copie da placa, com atenção às unidades:
Esses dados alimentam o modelo matemático do inversor e a proteção térmica do motor. Uma corrente nominal digitada errada, por exemplo, pode deixar o motor sem proteção ou provocar desarmes indevidos.
Muitos inversores oferecem uma rotina de autoajuste, que mede características elétricas do motor, como a resistência do estator. Execute o autoajuste sempre que for usar controle vetorial, seguindo o manual quanto à necessidade de o motor estar desacoplado da carga.
O inversor costuma oferecer ao menos dois modos:
Em bombas e ventiladores, alguns inversores oferecem ainda uma curva quadrática, que reduz a tensão em rotações baixas e economiza energia.
As rampas definem o tempo para acelerar de zero à frequência nominal e para desacelerar de volta a zero. Rampas muito curtas geram picos de corrente e podem desarmar o inversor por sobrecorrente na aceleração ou por sobretensão no barramento na desaceleração, principalmente em cargas de alta inércia. Rampas longas demais deixam a máquina lenta. Comece com valores conservadores e ajuste observando a corrente.
Se a desaceleração precisa ser rápida em uma carga de grande inércia, pode ser necessário um resistor de frenagem.
Os limites de frequência mínima e máxima protegem o processo e o motor. A mínima evita que uma bomba trabalhe sem vazão ou que um motor autoventilado aqueça por girar devagar demais. A máxima impede rotações acima do permitido pela máquina ou pelo acoplamento.
Defina de onde vêm os comandos de liga, desliga e sentido de giro (teclado, bornes ou rede de comunicação) e de onde vem a referência de velocidade (potenciômetro, sinal analógico de 0 a 10 V ou 4 a 20 mA, ou rede). Um erro comum é esquecer de mudar a fonte de comando de local para remoto, e a máquina não responde ao CLP.
Por fim, revise as proteções: limite de corrente, proteção de sobrecarga do motor, detecção de falta de fase na saída e reação à perda do sinal de referência. Terminada a configuração, faça um teste em vazio, confira o sentido de giro e depois teste com carga. Salve uma cópia dos parâmetros, em arquivo ou no teclado removível, para agilizar uma eventual troca do equipamento.
É indispensável quando se usa controle vetorial e recomendado na maioria das aplicações. No controle escalar simples, muitos equipamentos funcionam bem sem ele, mas o manual deve ser seguido.
Normalmente é sobretensão no barramento, causada pela energia devolvida pela carga. Aumentar a rampa de desaceleração ou instalar um resistor de frenagem costuma resolver.
Sim, a maioria dos modelos permite copiar parâmetros por teclado, cartão ou software. Confira depois os dados de placa, caso o motor seja diferente.